1. A Mudança na Regra Geral (Inconstitucionalidade Parcial) A regra do Marco Civil da Internet que exigia, obrigatoriamente, uma ordem de um juiz para que uma rede social fosse responsabilizada por posts de usuários foi declarada parcialmente inconstitucional. O STF entendeu que, com o avanço da internet, essa exigência deixou a democracia e os direitos fundamentais desprotegidos. Portanto, até que o Congresso Nacional crie uma nova lei, as plataformas digitais podem, sim, ser responsabilizadas civilmente sem a necessidade de ordem judicial prévia (com exceção de regras específicas do Direito Eleitoral).
2. A Regra da Notificação Direta e Responsabilidade Solidária Se um usuário cometer um crime ou ato ilícito na plataforma, a empresa de tecnologia responderá de forma "solidária" (junto com o autor do post) para indenizar a vítima. Para que a plataforma seja responsabilizada, basta que ela seja avisada por meio de uma denúncia no próprio aplicativo (notificação extrajudicial) e não remova o conteúdo. A empresa só se livra da culpa se, após analisar o caso com cuidado, demonstrar que havia uma dúvida razoável sobre a ilegalidade do post.
3. Proteção à Privacidade (Aplicativos de Mensagem e E-mail) A nova regra de remoção por denúncia do usuário não se aplica a comunicações privadas. Provedores de e-mail, aplicativos de mensagens privadas (como WhatsApp), plataformas focadas em chamadas de vídeo fechadas e empresas de infraestrutura de internet continuam precisando de uma ordem judicial para agir, pois o sigilo das comunicações privadas é protegido pela Constituição.
4. Presunção de Culpa: Algoritmos e Conteúdos Pagos Se o conteúdo ilegal foi espalhado por meio de anúncios pagos (impulsionamento) ou se os próprios algoritmos da plataforma espalharam o conteúdo de forma artificial (disseminação inorgânica), presume-se que a rede social é culpada. Nesses casos, a empresa pode ser processada e responsabilizada mesmo que ninguém tenha feito uma denúncia formal. Para se defender, a plataforma terá que provar que agiu sozinha e muito rápido para tirar o material do ar.
5. O Dever de Cuidado contra Crimes Graves O STF criou uma lista rígida de crimes muito graves que as plataformas têm o dever ativo de combater, impedindo que circulem em massa. São eles:
Como funciona a responsabilidade nesses crimes graves?
6. Plataformas de Venda (Marketplaces) Sites de comércio eletrônico que conectam vendedores e compradores respondem diretamente pelas regras do Código de Defesa do Consumidor.
7. Regras de Transparência e Canais de Denúncia As empresas de tecnologia são obrigadas a criar regras próprias (autorregulação) que garantam relatórios anuais de transparência sobre o que apagam e o que impulsionam. Devem também oferecer canais de denúncia fáceis de achar e de usar, disponíveis permanentemente tanto para quem tem conta na rede social quanto para quem não tem.
8. Exigência de Sede e Representante no Brasil Qualquer plataforma digital que atue no Brasil é obrigada a ter uma sede física no país e um representante legal (pessoa jurídica). Esse representante deve ter contato fácil no site e possuir plenos poderes para: responder à Justiça, fornecer dados às autoridades sobre o funcionamento do algoritmo e da moderação, cumprir ordens de juízes e, principalmente, receber multas e punições financeiras em nome da empresa.
9. Aplicação das Regras (Natureza, Prazos e Apelo)
Direito ConstitucionalDireito PenalDireito Processual Penal
Por força do art. 5º, LVI, da Constituição Federal, são nulas as provas obtidas na persecução penal de crimes sexuais mediante violação dos direitos fundamentais da vítima, por ação ou omissão dos…
Direito PenalDireito EmpresarialDireito Civil
REsp 2057908/SC, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe 10/04/2024
Direito AdministrativoDireito ConstitucionalPrincípios do Direito Administrativo
O controle judicial de atos da comissão de heteroidentificação em concursos públicos é possível para garantir o contraditório e a ampla defesa. Contudo, o STF não pode revisar critérios ou…
Direito ConstitucionalControle de constitucionalidade
A suspensão da execução de ato declarado inconstitucional pelo STF, em controle incidental de constitucionalidade, constitui ato político do Senado Federal que retira diploma legal ou preceito do…
Direito ConstitucionalProcesso Penal
A constitucionalidade do referido dispositivo, que prevê o limite máximo de um terço para a perda dos dias remidos em caso de falta grave, já foi apreciada pelo Plenário desta Corte, oportunidade na…
Direito PenalProcesso PenalLei de Drogas (11.343/06)
A Lei de Execução Penal prevê o cumprimento de quarenta por cento da pena para a progressão de regime de condenados por crimes hediondos. A Lei nº 11.343/2006, por sua vez, estabelece que o…